01 · O problemaO que é a magnetização.
A espiral (ou hairspring) é o componente regulador de todo movimento mecânico: uma finíssima fita de aço enrolada em espiral, mais estreita do que um cabelo, que determina o período de oscilação do balanço e — por consequência — a precisão do relógio. Também é fortemente atraída por campos magnéticos.
Quando a espiral é exposta a um campo suficientemente intenso, as voltas atraem-se umas às outras. A fita já não é livre de expandir e contrair regularmente: «acumula-se» em pontos irregulares, o período de oscilação muda e a marcha do relógio descontrola — não gradualmente, mas de repente. +40 s/d, +80 s/d, ou mesmo +200 s/d nos casos graves.
O paradoxo é que o relógio continua a funcionar perfeitamente: o tique-taque é regular, a amplitude permanece normal, o beat error inalterado. Sem um instrumento de medição é quase impossível notar até verificar as horas ao fim do dia. A boa notícia: a magnetização é quase sempre reversível em menos de um segundo, com uma ferramenta que custa 15 euros.
02 · As fontesO que magnetiza um relógio.
O campo necessário para magnetizar uma espiral de aço comum é relativamente baixo — cerca de 10 a 50 mT (militesla) são suficientes, muito abaixo do que geram objetos do quotidiano. Estas são as fontes mais comuns:
Smartphones
Colunas internas, motores de vibração e antenas geram campos localizados. Dormir com o relógio apoiado no telemóvel, ou tê-los no mesmo bolso, é suficiente.
Muito frequenteCapas magnéticas para tablets e laptops
Os fechos magnéticos de capas iPad, estojos MacBook e similares concentram campos muito intensos. Pousar o relógio em cima é a forma mais rápida de o magnetizar.
PerigosoColunas e subwoofers
Os ímanes permanentes dentro das colunas são poderosos e muitas vezes ignorados. Pousar um relógio sobre uma coluna — mesmo por poucos minutos — é um erro clássico.
Muitas vezes ignoradoMalas com fecho magnético
Muitas malas do quotidiano têm botões magnéticos ou fechos imantados. Um relógio no bolso interior acumula pequenas doses de magnetismo em cada utilização, até um efeito cumulativo.
InsidiosoCuidado também com: carregadores sem fio (Qi/MagSafe), fivelas de cinto magnéticas, ímanes de frigorífico, e — menos óbvio — os ímanes de neodímio das colunas Hi-Fi que por vezes decoram secretárias.
03 · O diagnósticoComo saber se está magnetizado.
O sinal mais evidente é uma marcha repentinamente anómala: um relógio que adiantava +5 s/d ontem e +60 hoje é um candidato quase certo. Mas nem todos os casos são tão claros — às vezes o campo magnético não é suficientemente forte para deslocar a marcha em dezenas de segundos, e produz apenas uma anomalia variável e difícil de interpretar.
Com o WatchScope o diagnóstico é rápido e gratuito. Faça o teste rápido na horizontal (CH): se a marcha está muito mais alta do que o habitual, suspeite. Depois faça o teste COSC em 5 posições: um relógio magnetizado mostra um delta horizontal-vertical muito elevado — tipicamente >40-50 s/d — porque a forma como as voltas se atraem muda radicalmente com a orientação do campo em relação à gravidade. Um relógio normal tem um δ H-V de 5-15 s/d.
Alternativa rápida sem app: aproxime uma bússola (mesmo a do telemóvel) do relógio. Se a agulha aponta para o movimento em vez de para norte, o campo magnético residual é suficiente para confirmar a magnetização.
Tire o relógio do pulso, pouse-o sobre uma superfície de madeira, aguarde um minuto e repita o teste. Se a marcha mudar drasticamente — p.ex. de +70 s/d no pulso para −5 s/d na mesa — está magnetizado com quase certeza. A espiral reage de forma diferente ao campo terrestre consoante a sua orientação em relação à direção de magnetização residual.
04 · O remédioComo desmagnetizar: menos de um segundo.
Um desmagnetizador de corrente alternada (AC demagnetizer) gera um campo oscilante que, ao decrescer até zero, leva todos os domínios magnéticos da espiral para uma posição neutra — apagando a magnetização sem desmontar nada. Encontra-o na Amazon por 15-20€ pesquisando «demagnetizer watch». O processo:
- Ligue o desmagnetizador e aproxime o relógio da bobina (em contacto ou a 1-2 cm).
- Mantenha o botão premido e afaste lentamente o relógio até 50-80 cm de distância (demore 5-10 segundos para se afastar progressivamente).
- Solte o botão apenas quando o relógio já está à distância — não desligue o aparelho enquanto o relógio ainda está perto.
- Verifique com o WatchScope: a marcha deve ter voltado aos intervalos normais. Se não, repita mais uma vez.
Não é preciso abrir o relógio, não é preciso ir ao relojoeiro, não é preciso tocar no movimento. O processo também funciona com o relógio no pulso (embora seja mais fácil segurá-lo na mão).
Em rarísimos casos o desmagnetizador não resolve completamente o problema. Significa que outras peças estruturais para além da espiral também estão magnetizadas — rodas de aço, âncora, pinhões. Nesse caso é necessário um relojoeiro que desmonte parcialmente o movimento e desmagnetize as peças individualmente. Raro, mas possível com relógios expostos a campos muito intensos (p.ex. perto de ímanes de neodímio durante horas).
05 · A prevençãoComo evitar que aconteça de novo.
A magnetização é fácil de resolver mas ainda mais fácil de evitar. Bastam alguns hábitos:
- Distância das colunas: pelo menos 20-30 cm entre o relógio e qualquer coluna ou subwoofer, mesmo a baixo volume.
- Sem relógio sobre dispositivos de carregamento: carregadores sem fios Qi, MagSafe, powerbanks ativos — mantê-los longe do pulso ou da mesinha de cabeceira quando o relógio está lá.
- Relógios anti-magnéticos (ISO 764): a norma certifica uma resistência de 60.000 A/m. Modelos conhecidos: Omega Aqua Terra, IWC Ingenieur, Longines L2 COSC. Uma gaiola interna de ferro macio isola o movimento dos campos externos.
- Espiral de silício: os movimentos com espiral de silício (Rolex Parachrom azul, Omega SILINVAR, Patek silício) não se magnetizam permanentemente, por natureza do material. É a solução definitiva.
Cada vez mais manufaturas adotam espirais de silício ou ligas não ferrosas (Glucydur, Nivarox). Nestes movimentos um desmagnetizador é literalmente inútil — mas também supérfluo. Se está a escolher um relógio para usar em ambientes com muitos dispositivos eletrónicos, verificar o material da espiral é uma consideração concreta.
Magnetização de relógios: sintomas, solução e causas do dia a dia
Quais são os sintomas de um relógio magnetizado?
O sinal típico é um avanço repentino e acentuado: um relógio que ia a poucos segundos por dia passa de um dia para o outro a +20, +40 ou até vários minutos por dia, sem um impacto ou queda que o explique. As espiras do balanço atraem-se, o período de oscilação encurta e a marcha torna-se rápida e muitas vezes irregular de uma posição para outra. Se um relógio antes estável começa de repente a correr, a magnetização é de longe a causa mais provável, muito antes de pensar numa revisão.
Como se desmagnetiza um relógio?
Usa-se um desmagnetizador de corrente alternada, daqueles económicos vendidos online por cerca de 15 euros, e toda a operação demora poucos segundos. O aparelho gera um campo alternado que, ao afastares lentamente o relógio, decresce até zero e repõe os domínios magnéticos do balanço na posição neutra. Apoia o relógio sobre a bobina, mantém o botão premido e afasta-o gradualmente até 50-80 cm antes de o soltar, sem nunca desligar o aparelho com o relógio ainda perto. É totalmente seguro para o movimento e elimina a magnetização sem abrir a caixa.
Porque é que o meu relógio de repente adianta +40 s/d?
Um salto repentino para +40 s/d é quase sempre magnetização, não uma avaria mecânica. Quando o balanço adquire uma carga magnética, as suas espiras colam-se umas às outras, o que na prática encurta o balanço e acelera a oscilação, fazendo o relógio adiantar depressa. Costuma surgir logo depois de o relógio ter estado perto do altifalante de um telemóvel, de um portátil, do fecho magnético de uma mala ou de um sistema de som. A boa notícia é que não precisa de qualquer revisão: poucos segundos com um desmagnetizador devolvem a marcha ao normal.
Que objetos do dia a dia magnetizam um relógio?
Os culpados habituais são muito mais banais do que se imagina. Os altifalantes de telemóveis e portáteis, os fechos magnéticos de malas, as capas de tablets e as capas de telemóvel, os ímanes do frigorífico, colunas de som e subwoofers, clipes magnéticos e até alguns fechos de carteiras geram campos suficientemente fortes para carregar um balanço de aço. Os carregadores sem fios e MagSafe também são culpados frequentes. Como regra, mantém o relógio a pelo menos 20-30 cm de qualquer altifalante ou fecho magnético, e nunca o apoies sobre uma capa de tablet ou uma base de carregamento durante a noite.
Faça o teste agora,
gratuitamente.
O WatchScope mostra a marcha em tempo real. Se vê +40 s/d onde antes havia +5, já tem o diagnóstico. Descarregue a app e verifique antes de ir ao relojoeiro.